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21/05/2011

Vendem suas intimidades.

Seus proxenetas… melhor, empresários

Refestelam-se como hienas ao redor da carniça

Um novo programa, mais um zero a direita. “O que você sabe fazer, babe?

É mais fácil te vender se você é bonito, se teu corpo é bonito… Você se importa em usar menos roupa?

Não fala tão difícil! Fala o que dá hype!

Não importa o que sonham, importa o que vende. Vendem o prazer, visão, audição, olfato, tato, paladar.

E o cliente tem sempre razão.

A César o que de César é!

E nestes dias, todos somos criados para sermos romanos.

 

Choram à noite aos seus travesseiros as tristezas de um outro dia a dar de si

Dão aquilo que não têm

Fabricam o riso da lágrima fria

Fabricam o romance do coração roto

Alma trôpega simulando prazer

Oram com fé de que um dia hão de voltar a viver

Alguns, mortos, nem oram mais

Mas lágrimas vertem sempre!

Lamentos encontram vícios

Copos, seringas, garfos, mais prazer

Prazer para si, pois agora são eles os romanos!

Tudo para esquecer que o sol vem detrás da montanha

E o dia vai raiar já não tarda

 

Suas penas vão sangrar novamente a tristeza de não serem o que são,

sorrindo, bonitas… e em massa!

Seus multicoloridos tons vão ao preto e branco sem graça em si menor

Arroz com feijão que vende, não pode nem ter sal.

Suas feições vão fingir contentamento, fingir felicidade, êxtase

Suas vozes a proferir o que envergonha

Seus corpos a mostrar-se despudorados

Desencapados, profanados.

 

Seus proxenetas… melhor, empresários

Pobres coitados que nada mais são que romanos bem formados

A sorrir, a medir

Cada clique, nova cifra

Outros porcentos, trocentos

Ganham do prazer que outros dão

Ganham do prazer dos que o buscam

Ganham do lance de arremate

Prostituição da Arte

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